No canto inferior direito, a estreita borda dourada encaixa-se perfeitamente em ângulo; finos traços escuros na pátina fazem com que o perfil pareça menos novo e liso. Este detalhe inicial da moldura combina com a obra de Henri Rousseau «Paisagem com Camponês», de 1896, precisamente porque o próprio motivo é retratado de forma tão simples. Gosto do contraste: Noemi confere à cena rural um certo carácter solene, sem a sobrecarregar. Em primeiro plano, um único camponês, com a enxada ao ombro, caminha por um caminho entre árvores jovens. Atrás dele, copas de árvores amarelas, verdes e vermelho-ferrugem sobem pela encosta. Uma casa branca com telhado vermelho ergue-se entre elas; mais acima, uma torre de igreja destaca-se contra colinas castanhas e um céu pálido. À esquerda, uma árvore escura estende os seus ramos nus pela imagem, criando o contraste mais forte com os campos claros. Rousseau compõe esta paisagem com formas claras e uma perspetiva simplificada. A sua linguagem pictórica original, frequentemente descrita como ingénua, transforma o percurso quotidiano do camponês não num grande acontecimento, mas num momento de tranquilidade, em que cada casa, cada tronco e cada colina ocupa o seu lugar definido.
Ao pendurá-la, fica evidente como as dimensões de 82 x 57 centímetros se adequam perfeitamente à ampla composição paisagística. Noemi, com 17 milímetros de largura e 18 milímetros de altura, mantém-se próxima da borda da imagem. No interior, o perfil em madeira maciça apresenta uma zona dourada lisa e recuada; no exterior, segue-se uma série de pequenos ornamentos dispostos em ângulo. É nos cantos que o acabamento se revela na sua melhor forma: os cortes em ângulo fecham-se de forma reta, a sequência decorativa estende-se até à junção e uma estreita junta escura separa a borda interior da imagem. Pequenos pontos pretos e linhas irregulares percorrem a superfície dourada - fazem parte da pátina e impedem que o perfil pareça uma ripa brilhante. A borda exterior curvada dá o toque final, mas mantém-se estreita o suficiente para que os troncos de árvores de Rousseau continuem quase imediatamente junto à moldura. A tela «Salvador», com superfície mate, estende-se sobre a moldura; a continuação do motivo, espelhada lateralmente, encerra a obra mesmo sem vidro nem passe-partout. De muito perto, a minha atenção fixa-se sobretudo nos ramos finos e nas manchas de cor escalonadas na folhagem, bem como no contorno preciso do camponês: Esta fidelidade aos detalhes preserva a tranquilidade peculiar de Rousseau, sem suavizar artificialmente a cena.