O barco inclina-se fortemente para estibordo, as ondas de um verde escuro batem contra o casco - e, no meio de tudo isto, estão sentados três rapazes e um homem, como se nada estivesse a acontecer. Winslow Homer não retrata aqui um perigo no mar, mas sim o contrário: uma confiança serena no vento e nas condições meteorológicas. O rapaz na popa segura o leme, o seu olhar dirige-se para o horizonte, onde passa uma escuna com as velas içadas. Por cima de tudo, um céu de bancos de nuvens cinzentas e rosadas, por entre os quais se vislumbra, em alguns pontos, um turquesa pálido. Homer, um dos pintores americanos mais marcantes do século XIX, expôs a obra em 1876 na Centennial Exhibition, em Filadélfia - no ano do centésimo aniversário da Independência, muitos interpretaram rapidamente este pequeno passeio de veleiro como um símbolo de um país jovem que olha para o futuro com confiança. A imagem transmite essa confiança até aos dias de hoje: a espuma do mar, a inclinação do barco, as mangas arregaçadas e, ainda assim, uma tranquilidade absoluta nos rostos.
Nesta obra, o olhar fixa-se primeiro no rapaz que se inclina para dentro do barco, na proa - com o chapéu bem calçado no rosto e o braço descontraído apoiado na borda. É precisamente este pormenor que a gravura reproduz de forma surpreendentemente detalhada: os tons castanhos e vermelho-ferrugem das suas roupas destacam-se nitidamente uns dos outros, e a pequena garra da âncora junto ao mastro destaca-se com nitidez contra o céu claro. Na tela acetinada, um brilho suave recobre as partes das nuvens, enquanto as superfícies escuras da água mantêm a sua profundidade - algo que poderia facilmente parecer plano num material liso, mas que aqui funciona bem. O conjunto está emoldurado em «Lola», uma moldura estreita de madeira verdadeira em castanho-escuro com uma textura semelhante à casca de árvore, na qual o castanho transparece por baixo da camada superior preta. Para um quadro de 1876, isto parece surpreendentemente natural.